Vinhetas

VOLLÜSPA – Vinheta de Olinda P. Gil!

Voltamos por fim às Vinhetas, temos ainda 10 para publicar:

Endovélico

Olinda P. Gil

Numa tarde primaveril, um grupo de caminhantes bem equipados explorava os terrenos junto à ribeira de Lucefecit, perto do Alandroal.

– Está aqui indicado! Rocha da Mina é por aqui! Sigam-me! – disse aquele que parecia ser o líder do grupo.

O terreno ao longo da ribeira era verdejante, com árvores frondosas. Encontram uma ponte de madeira, que os deixou deslumbrados.

– Não fazia ideia que este lugar era tão belo! – exclamou uma das raparigas do grupo.

Pouco depois de passarem a ponte repararam nuns rochedos que pareciam despontar abruptamente no terreno. O líder do grupo voltou a falar:

– Julgo que temos de subir os rochedos. É um pouco perigoso. Mas não há modo de seguir a ribeira.

Quanto mais avançavam, mas se sentiam encantados. Quando chegaram ao topo do rochedo já não tinham palavras para descrever a beleza do local, que a cada passo aumentava. A ribeira corria, com um som límpido, num vale muito estreito, construído por rochedos como aquele onde se encontrava.

Então, o tempo mudou subitamente e começou a trovejar. Uma rapariga atenta chamou a atenção ao resto do grupo.

– Cuidado! Caíu um relâmpago perto da ribeira.

Foi então que viram uma figura humanoide, gigantesca, parecendo feita da mesma luz dourada de um relâmpago:

– Eu sou o deus Endovélico! Fui adorado por povos da antiguidade até ao tempo do cristianismo! Como vos atreveis a incomodar o meu descanso, se não for para me adorar?

O grupo estava aterrorizado, nunca tinham ouvido falar de tal fenómeno! Eles eram apenas praticantes de orientação. Ninguém foi capaz de proferir palavra.

– Deixar aqui os vossos pertences, e abandonai este local sagrado imediatamente! – vociferou o deus.

Assim que os caminhantes partiram assustadíssimos, Endovélico começou a remexer nas mochilas abandonadas, até encontrar um livro.

– Vollüspa, finalmente!

Info: Professora e Formadora de Português, foi colaboradora no DN Jovem. Posteriormente participou com outros colaboradores do suplemento no site na-cama.com e jotalinks (actualmente extintos). Foi 3º prémio no concurso literário “Lisboa à Letra” em 2004, na categoria de prosa. Actualmente escreve no blog: http://acasadoalfaiate.blogspot.com

VOLLÜSPA – Vinheta de Rodrigo MacSilva

Um díalogo delicioso entre pai e filho com a Vollüspa pelo meio;)

O que é Vollüspa?

Rodrigo MacSilva

— Pai… o que é Vollüspa? É um país?
— Não, filho. Não é um país — respondi, acariciando-lhe a cabecita e sorrindo.
— Então… é uma tribo?
— Sim, isso pode ser, filho. É uma tribo de escritores.
— É boa. Não sabia que havia tribos de escritores.
— Pois há, filho. E também existem tribos de sonhadores e de poetas.
— Deve ser bom, pai. Ser da tribo dos Vollüspa — sorriu, imaginando-os. Depois, continuou: — Olha, pai… são de África?
— Não, filho. Não são de África. São de muitos lugares. Há até quem diga que nem são deste mundo.
— São extraterrestres?
— Mais ou menos, filho.
— E têm poderes especiais? Deitam fogo com os olhos?
— Não, filho — sorri, baixando-me e apontando um dedo para o céu, enquanto o abraçava. — Vês aquelas estrelas, lá em cima? Dizem que é lá que eles moram. Que são viajantes do universo e que sabem histórias maravilhosas, de outros mundos e de outros lugares.
— Olha, pai… já viste algum Vollüspa?
— Sim, já vi alguns.
— E como são eles? Têm quatro olhos e dez braços?
Depois de hesitar um pouco, respondi:
— Acho que sim, filho — sorri. — Mas são pacíficos.
— Ainda bem! Já estava a ficar assustado — riu-se, aliviado.
— Sabes, filho, os Vollüspa não querem conquistar o universo. Apenas plantam histórias que nascem nos livros.
— Como o avô? O avô também planta coisas.
— Sim. É parecido.
— Mas o avô não planta palavras, pois não?
— Pois não, filho. Pelo menos nos livros. Mas já o vi comer palavras. Sentar-se à lareira e comer palavras dos livros. E quem gosta de ler, gosta dos Vollüspa.
— O avô é um comilão! Quando souber que há histórias dos Vollüspa, é capaz de as comer todas de uma vez…
— Não faz mal, filho. As palavras nunca morrem. Sempre que um livro acaba, elas voltam a nascer para outro leitor. É a magia dos Vollüspa.

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Sem portes de envio se escolherem pré-pagamento no site!!!

VOLLÜSPA – Vinheta de Joel Puga

Voltam as Vinhetas, agora que o trabalho me deixa respirar um pouco! Uma por dia durante toda a próxima semana…Quem não sente um pouco de saudades de ler uma boa vinheta sobre a Vollüspa?

As Perguntas que Atormentavam Pavel Karelin

por Joel Puga

Pavel Karelin entrou, expectante, no templo erguido no centro do fórum de Bracara Augusta. Durante meses viveu na cidade, tentando ganhar a confiança da alta sacerdotisa. Agora, esse investimento dava, por fim, frutos.

Seguiu a mulher para trás do altar, onde se escondia uma porta baixa e estreita. Através desta, chegaram a um pequeno quarto cheio de prateleiras, sobre as quais se amontoavam dezenas de rolos de papiro e pergaminho.

– Aqui tens – disse a sacerdotisa, passando um para as mãos de Pavel.

Ele desenrolou-o. Estava escrito em latim, o que não era um problema. Pavel estudara vinte e três línguas, e latim havia sido uma das primeiras. Porém, nem sequer era necessário perceber a língua para ler o título. Vollüspa. Encontrara-a mais uma vez. Um formigueiro cresceu-lhe no estômago conforme lia o texto e confirmava que este continha as mesmas histórias de sempre.

Este texto, este conjunto de contos, aparecia repetidamente ao longo da história da humanidade, em diversas línguas e formatos. Pintado nas paredes de cavernas durante a pré-história; gravado em arenitos no antigo Egipto; escrito em códexes da dinastia Ching; desenhado em revistas de BD americanas dos anos quarenta. No dealbar do século vinte e dois, foi transmitido directamente para as mentes de todos aqueles que se encontravam ligados à Rede. Foi achado até em Marte, em forma de livro e escrito em inglês, pela primeira expedição humana a lá chegar.

Qual a importância destas histórias para aparecerem tantas vezes no registo histórico? Quem as escreveu? Que poder as havia disseminado assim, ao longo dos tempos e em locais tão afastados uns dos outros? Seriam as suas intenções malignas ou benignas? Eram estas as perguntas que atormentavam Pavel Karelin, viajante no tempo.

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VOLLÜSPA – Vinheta de Liliana Novais

Vinhetas Vollüspa – Continuamos a receber e a publicar vinhetas a bom ritmo, aqui fica mais uma:

Perseguição

Liliana Novais

Caminho pela rua, procurando algo que não sei bem o que é. Uma ânsia cresce no meu interior. Sinto-me observada, perseguida, como se de todas as montras algo me observasse, mas quando olho para estas, nada se encontra lá. Mais uns passos e outra montra, desta vez uma livraria, passo sem grande interesse, não posso sequer olhar, os cinco euros que levo no bolso são para o meu almoço e não os posso gastar em livros, é o pouco dinheiro que ainda me resta da indeminização de final de contrato e não posso desperdiçar, e sei que se olho compro.

Pelo canto do olho, vejo um livro saltar de montra em montra e naquela não é exceção. Fujo, corro, tento, em vão, escapar. Volto-me para o enfrentar, e perguntar-lhe o que me quer, que não o posso comprar e levar comigo, as ultimas palavras que me lembro são Vollüspa, gravadas a preto, antes do livro se abrir e me engolir.

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Informações sobre a autora:

Contos Publicados:
“um voo atribulado” na primeira edição da revista Novos Talentos.
“Um grito de liberdade” na Revista Nanozine 4 http://nanoezine.wordpress.com/2011/12/21/nanozine-4/

VOLLÜSPA – Vinheta de Pedro Cipriano

Quem quer ler mais uma fantástica vinheta?

O outro mundo

Pedro Cipriano

A terra estremeceu com o salvo de artilharia. Paulo não receou, pois sabia estar relativamente seguro dentro da sua trincheira. O pior viria quando os canhões se calassem e os alemães atacassem. Segurou com força a sua espingarda guarnecida com baioneta e esperou pelo pior. A qualquer momento esperava ouvir disparos.

De súbito, uma estranha calma apoderou-se dele e pareceu contagiar todo o ambiente. Os disparos dos artilheiros cessaram. Não houve tiros nem explosões.

– O correio chegou! – ouviu os seus companheiros gritar.

Não tardou que o tenente aparecesse no seu buraco, rastejando pelo meio da lama. Ninguém se atrevia a colocar a sua cabeça mais alta que a borda, pois os franco-atiradores só precisavam de uma oportunidade para realizar o seu hediondo trabalho.

– É o teu dia de sorte. Chegou uma encomenda para ti – explicou o quarentão de cabelo grisalho.

O embrulho mudou de mãos e o oficial continuou o seu percurso pelo labirinto escavado naquele solo castanho.

Paulo rasgou o cartão, encontrando o livro que esperava há meses. Abriu o tomo, de nomeVollüspa, e num instante estava noutro mundo, bem longe dos horrores da guerra.

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Informação sobre o autor:

Obra: Colaborou na revista Nova Águia, volumes 6,7 e 9
Publicou na revista Ler através do concurso Ler 15-25


Vinheta de Marcelina Gama Leandro

Os paralelepípedos tumulares no período pré-espacial do homo sapiens 

Marcelina Gama Leandro

O sol brilhava intensamente, turvando-lhe a visão antes mesmo de sair da sombra da tenda. Com os óculos de protecção UV, chapéu e luvas, equipada sem deixar um centímetro de pele a descoberto, a Drª. Violet avançava em direcção às escavações dos túmulos recentemente descobertos. Em passo acelerado fugia do sol abrasador que tostava toda a superfície terreste desde a última chuva de meteoritos que alterara bruscamente todo o clima.

Assim que chegou perto das escavações saltou para dentro dos enormes buracos que tinham sido abertos pela sua equipa, entranhando-se no corredor que a levaria até a um dos paralelepípedos tumulares descobertos. Assim que chegou à câmara onde a atenção dos seus arqueólogos se concentrava, a equipa separou-se para a deixar passar, possibilitando uma visão geral de toda a descoberta.

A Drª. Violet retirou a máscara e o chapéu, destapando todo o rosto, e começou a ditar para o comunicador central o que poderia ser a descoberta mais importante de toda a sua carreira.

– Homo sapiens que pela estrutura será da época pré-espacial, em posição fetal, sobre um paralelepípedo suportado por quatro paus. – Deu um passo em direcção ao centro do espaço. – Esqueleto em boas condições sem indício de ter havido contaminação. – Deu mais um passo em direcção do esqueleto. – Homo sapiens encontra-se envolto em tecidos, com objectos decorativos nos pulsos e no pescoço. – A Drª. Violet viu entretanto algo que a intrigou envolto nos braços do homo sapiens. Aproximou-se mais e mais até quase se encostar ao paralelepípedo elevado do chão pelos simples paus e que suportava o corpo, com a mão envolta na luva protectora, puxou o estranho objecto dos braços do esqueleto e com muito cuidado para este não se desfazer, pousou-o sobre o tecido que cobria o paralelepípedo. Tirou um pincel de pelo de Genhor de um dos bolsos e limpou gentilmente a superfície. Com esforço tentou lembrar-se das suas aulas de idioma antigo, soletrando:

– V-o-l-l-ü-s-p-a.

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Autora:

Site: ?

Obra: Conto no Jornal Conto Fantástico n.º1/2, Conto na Antologia de Contos de Literatura Fantástica Edita-me, Conto na Vollüspa. (Brevemente será editado com informação mais precisa)

VOLLÜSPA – Vinheta de Álvaro de Sousa Holstein

A segunda vinheta do dia, repleta de mitologia!

Miðgarðsormr

Álvaro de Sousa Holstein

 Tinha sido concebida para aguentar todas as calamidades que a espécie estava fadada a suportar. Mesmo assim, na manhã da Quinta Era do Grande Salto, uma brecha apareceu na parede norte. O grande arquitecto deslocou-se pessoalmente para evitar maior estragos. Chegado à parede norte deparou com uma enorme brecha de onde uma luz azulada ia aumentando de intensidade. O solo junto à parede norte não apresentava qualquer irregularidade. Estava tão liso e brilhante como no dia em que tinha sido construída a estrutura. Nada fazia sentido ou explicava o porquê dos estragos na parede norte e muito menos estava preparado para o que acabava de acontecer. Uma enorme cabeça tinha saído da brecha.

O tempo tudo cura e resolve. É uma daquelas máximas que até os deuses conhecem e aceitam. Miðgarðsormr também o sabia e o dia tão esperado tinha finalmente chegado.

Logo que detectou a nanofalha no açoplasmoplanctôn, partiu, sabendo que iria recuperar as mais importantes obras escritas pelos que tinham habitado o terceiro planeta de uma obscura estrela e que davam a si mesmo o nome de Homens: o místico De Vermis Mysteriis, o perturbador Livro de Areia, o infame Necronomicon, o demiurgico Graal-Livro e a fulgurante Vollüspa. Agora se Þórr o tentar pescar de novo, nem os velhos deuses terão poder para impedir que o envie para Ragnarǫk.

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Informação sobre o autor:

Site:

Obra:

VOLLÜSPA – Vinheta de Madalena Santos

Publicado em Março 20, 2012 por 

E vocês, sabem o que é averdade? Então mergulhem nesta vinheta de Madalena Santos, a autora da Saga “Terras de Corza” e do conto “O Mistério dos Uivos” na antologia de contos de ficção científica Fantasporto.

A Verdade

Madalena Santos

Um dia vi um velho taciturno de sobretudo negro com um saco de pano na mão. Estava tão sombrio que lhe gravei o rosto na memória e não deixei de reparar nele. Apanhava o comboio na mesma paragem que eu, no meio de campos verdejantes para quem passava na locomotiva, ao lado de um bairro sujo e desinteressante para quem lá morava. Sintoma das maravilhas de uma qualquer ilusão; e da parede de betão que escondia os prédios. Sempre que subia para a carruagem, erguia muito os pés, como se o espaço entre o comboio e a plataforma lhe causasse impressão. Sentado nos bancos de cores garridas, viajava de costas para o sentido da viagem, como se tivesse medo de, ali sentado, ser seguido. Levantava-se com dois rigorosos minutos de antecedência e largava-se num daqueles apeadeiros onde ninguém sai.

Certa vez sentei-me ao lado dele e deitei uma olhada ao regaço onde segurava com parcimónia o tal saco axadrezado.

– O que leva aí, senhor? – perguntei-lhe.

Rodou a cabeça para me enxergar.

– A verdade.

Matutei por uns segundos.

– Pode mostrar-me essa verdade?

– É a verdade – insistiu.

Desembrulhou dois livros, enquanto eu abria a minha mala para o incentivar mostrando-lhe também a minha leitura. Os títulos fizeram-me lançar duas gargalhadas bem alto: “A Origem das Espécies” e um volume da colecção “Fundamentos da Física”.

– Homem, isso é lá verdade! – exclamei. Outros passageiros também se riram comigo, naquela cumplicidade que só acontece nos transportes públicos.

Mostrei-lhe o meu livro: “Vollüspa, Antologia de Contos de Literatura Fantástica”.

No dia seguinte, não apareceu à hora do costume. Aliás, nunca mais o vi. Algum ser aterrador da realidade deve tê-lo devorado por ser de pensamento tão limitado. Pois… Quem não lê a Vollüspa não sabe como se safar…

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INFORMAÇÃO SOBRE MADALENA SANTOS:
Site: http://www.madalenasantos.com/
Obra:
Saga Terras de Corza (ASA 1001 Mundos)
O Décimo Terceiro Poder (2006)
A Coroa de Sangue (2007)
As Tribos do Sul (2009)
Os Doze Reinos (2010)
Publicações com outros Autores
CONTO “O MISTÉRIO DOS UIVOS” na ANTOLOGIA DE CONTOS DE FICÇÃO CIENTÍFICA FANTASPORTO  Fantasporto / ASA 1001

VOLLÜSPA – Vinheta de José Manuel Morais

Tenham cuidado com a Vollüspa, tenham cuidado com os livros proibidos!

INDEX

José Manuel Morais

O Cardeal Inquisidor esfregou os olhos, cansados por horas de leitura nocturna. Tinha começado pouco depois da hora de Vésperas, e agora a de Laudes não devia estar longe, a julgar pelas velas quase mortas no candelabro. Mas não podia parar.  O Papa exigia que o Índex Librorum Prohibitorum ficasse pronto, e de Trento exigiam exemplares antes que o concílio debandasse. Nessa manhã a lista completa dos livros interditos aos católicos devia dar entrada na gráfica, mas havia sempre livros a chegar e a ler, pois a inventiva dos inimigos da fé parecia não ter limites. Toda a noite examinara um lote chegado de Portugal, enviado pelo irmão do rei, também Cardeal e Inquisidor, sempre zeloso e vigilante em questões de ortodoxia. Nenhum dos livros trazia nada de novo, inquietante ou perigoso que justificasse sobrecarregar o Índex, mas todos tinham de ser lidos. E agora, graças a Deus, ali estava o último, mais um livro em língua vulgar, que segundo a nota que o acompanhava tinha sido apreendido a um certo Roberto Mendes, que subitamente tinha aparecido em Évora, e não menos subitamente desaparecido nas enxovias da Inquisição, denunciado por um familiar do Santo Ofício, que desconfiara do inusitado das suas vestes  e do seu linguajar estranho.

O livro era também pouco usual, feito de um papel fino, liso e leve como nem em Veneza se usava, e a encadernação era também diferente  de tudo o que já tinha visto. A capa tinha muitas cores, o que nunca é bom porque ofende a modéstia. Por dentro era pior. Do tempo que passara como núncio em Lisboa, o Cardeal Inquisidor guardava o conhecimento bastante da língua para ver que o livro falava de máquinas loucas, judeus, sonhos maléficos, criaturas da noite, lugares que não existiam e outros que só poderiam existir nos mundos imaginados por aquele Copernicus que a Igreja procurava sem êxito silenciar.

Fechou o livro e olhou de novo a capa. Agora até o título parecia suspeito. Puxou para si o manuscrito do Índex pronto a enviar, e na letra V intercalou entre Vitus Vuinfemius e Vuendolinus ab Helbach o novo livro que nunca deveria chegar às mãos de nenhum bom católico: VOLLÜSPA, Antologia de Contos de Literatura Fantástica.

Chamou o criado que esperava na antecâmara.

– Isto é para levar imediatamente à Officina Salviana, para Impressão. E isto, acrescentou enquanto selava com lacre vermelho as páginas do livro e lhe apunha o sinete do anel, é para o Arquivo Secreto. Guardar sem abrir, Deus seja louvado.

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VOLLÜSPA – Vinheta de Vitor Frazão

Prepara-te para a última viagem…ou então não, senta-te e espera um pouco;)

Forças do Inominável

Vitor Frazão

Clóvis estava sentado no centro do círculo protector, quando a lâmpada do candeeiro começou a piscar e as chamas das velas em seu redor a abanar, embora não houvesse brisa.

3h30. O fim aproximava-se.

As baratas e ratos saltaram das fendas na parede para o soalho, fugindo em pânico perante o poder profano que convergia sobre a sala.

3h31. O relógio no pulso de Clóvis parou e a lâmpada extinguiu-se, deixando apenas as velas para iluminar a leitura. A temperatura caiu a pique, as tábuas do soalho estalaram e uma gota de sangue pingou entre as letras impressas, escorrendo do nariz do jovem, que continuou a ler, mesmo quando uma figura sombria, vestido no fato ensanguentado de Clyde Barrow, se materializou na sala, erguendo-se das sombras.

– Clóvis Barnabé – clamou a criatura, apoiando-se na bengala esculpida com a madeira doWasa, inundando o espaço com a sua voz cavernosa e o cheiro azedo a sangue, putrefacção e cinzas – os teus 33 anos entre os vivos chegaram ao fim, é hora de honrares o pacto de teu pai e vires comigo. Resistir é inútil, a tua alma pertence-me e arrastá-la-ei pelos Portões Negros do…

– Yah, dá-me só dez minutos, pode ser? Estou mesmo no último conto.

“Cachopos! Já ninguém respeita as Forças do Inominável…” queixou-se a entidade sombria, sacando do relógio do Capitão Edward Smith e dando um pontapé na barreira protectora, que na sua opinião era uma anedota, capaz de ser pulverizada pelo arroto de um diabrete de 3ª categoria.

– Ó que se lixe, tenho tempo – autorizou, guardando o relógio e encolhendo os ombros perante a insignificância de dez minutos face à eternidade. – Que lês?

– Vollüspa – Antologia de Contos de Literatura Fantástica.

– Bom?

– Excelente.

– Posso ler, quando acabares? Não quero abusar…

– Na boa.

– Fixe.

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Informação sobre Vitor Frazão
 
Site: http://cronicasobscuras.blogspot.pt/
 
Livro: A Vingança do Lobo
 
http://www.goodreads.com/book/show/8084233-a-vingan-a-do-lobo

VOLLÜSPA – Vinheta de Regina Catarino

EXÍLIO

Regina Catarino

– Em suma: a crise actual é inquestionável e ofereceram-nos uma hipótese de lhe virarmos costas definitivamente. Reflictam bem, pois o que votamos hoje é a nossa sobrevivência enquanto espécie!

O burburinho alastrou-se como um fogo florestal. Todos falavam mas Cedric permaneceu em silêncio. Não havia dúvidas de que aquela era uma crise sem precedentes. Durante séculos tinham sido os senhores incontestados das trevas, mas a política de abertura do Conselho revelara-se uma faca de dois gumes: se por um lado as Entrevistas de Ana Arroz tinham divulgado a existência e o poder dos Vampyr, por outro Estefânia Maia tinha-os convertido numa anedota no Submundo.

Qualquer Vampyr que tentasse atacar uma jovem sujeitava-se a ser recebido com gritinhos histéricos, saltinhos e um guinchado “Que bom, vamos casar e eu vou viver para sempre!! Iiiiiiiiiiiiih!!!”. Tudo por causa das Fantasias ao Lusco-Fusco onde os Vampyr eram retratados como jovens vegetarianos cuja pele brilhava. Os humanos perderam-lhes o respeito e já nenhum Vampyr conseguia sugar o sangue fosse a quem fosse.

A ideia do Conselho era de facto o mais viável. A Nasa propusera aos Vampyr viajar na primeira nave tripulada para fora do sistema solar, já que eram a única espécie capaz de sobreviver sem cápsulas de estase durante séculos. Iriam colonizar um planeta em Gliese que tinha um lado sempre na sombra: isso dar-lhes-ia uma zona de segurança, afastados dos colonos que chegassem posteriormente. O sangue dos nativos era bebível, portanto a sobrevivência estava garantida.

Cedric decidiu-se: votaria sim. Enumerou mentalmente o que levaria a bordo: roupa, escovas de dentes, brilhantina… mas as cinzas do avô ficariam na Terra. Afinal, havia um limite de carga por Vampyr – e entre levar o avô ou o seu livro favorito, optou pelo livro. A Vollüspa far-lhe-ia companhia durante a longa viagem.

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Informação sobre a autora:
Obra:

VOLLÜSPA – Vinheta de Carina R. Portugal

Publicado em Março 17, 2012 por 

Nova vinheta sobre a Vollüspa!!!

Nas Vagas do Mar Egeu

 Carina R. Portugal

As ondas enraivecidas devoravam o barco, despedaçando-o. A tempestade incitava-as, o vento rasgava as velas como se fosse um espadachim, enquanto os seus uivos faziam estalar a madeira do convés. Rompeu o casco do navio.

Nas águas do Mar Egeu, três nereides observavam o espectáculo, sorrindo face aos súbitos relâmpagos e às correntes de água que lhes agitavam o cabelo. Cada uma segurava nas mãos uma esfera onde brilhavam duas medusas.

Quando viram os objectos, outrora contidos no porão, a deslizarem para as águas escuras, deram às barbatanas e nadaram para eles. Enquanto duas delas auxiliavam os marujos que se afogavam, a terceira deixou os olhos saltarem entre as coisas que se perdiam, até se prenderem numa caixa selada. Pegou-lhe, contemplando as runas gravadas a prateado sem as conseguir ler. Porém, percebeu a última palavra: “Vollüspa”.

– Finalmente encontrei-a! – Galatea olhou na direcção das irmãs. – Vou levá-la a Nereu!

Agitou as barbatanas e afastou-se por entre as águas. Quando entrou no enorme palácio do pai, aproximou-se do trono e, com um sorriso nos lábios, estendeu-lhe a caixa.

Nereu, Deus marinho, lembrava um velhote venerável. Quando recebeu a caixa, os seus olhos brilharam. Pousou-a no colo e leu as inscrições rúnicas, murmurando depois um feitiço que as fez reluzir, antes de desapareceram. Levantou a tampa da caixa e tirou do seu interior um livro de aparência nunca antes vista. Estava maravilhado, após tantos anos de busca… Tocou no objecto com o tridente, para o tornar à prova de água.

Com um sorriso barbudo, Nereu dispensou a filha e recostou-se no trono. Toda a sua atenção prendeu-se nas páginas da mítica Vollüspa, o livro de contos fantásticos que viajava no tempo e que qualquer Deus desejava ter. Mas este exemplar era seu, só seu!

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Informação sobre a autora:
Obra:
O Acorde das Almas – Vollüspa

Vollüspa – Vinheta de Rui Ramos

Publicado em Março 16, 2012 por 

A loucura das vinhetas continua…

O Deus Cego!

Rui Ramos

Finalmente consegui um exemplar!

Após longos anos de pesquisa em labirínticas bibliotecas esquecidas nas mentes de sábios embalsamados.  Depois de incessantes buscas por obscuros alfarrabistas de metrópoles escondidas nas areias do Tempo…

Ah! Ah! Ah! Finalmente consegui!

Todos os sofrimentos são agora distantes perante a antecipação de mergulhar nas páginas de Vollüspa – a Antologia de Contos Fantásticos.

Ah se soubessem a verdade sobre este livro. O livro dentro do livro. A verdadeira essência que se esconde nas palavras que formam estes contos, escritos por vários autores, inspirados pelo terrível Deus cego que vive acorrentado no interior de cada homem. 

Ah! Se soubessem o seu poder! Se conhecessem o código que estas palavras guardam, condená-lo-iam ao anátema das chamas! E a mim também porque o descodifiquei!

Mas é tarde, para vós! Encontrei o meu exemplar da Vollüspae posso, por fim, quebrar as correntes do Deus que habita em mim e libertá-lo no Mundo!

Desesperai, mortais! Desesperai!

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VOLLÜSPA – Vinheta de Carlos Silva

O Leilão
Carlos Silva

As paredes de vidro do pedestal passaram de negro opaco a transparente, revelando a preciosidade que ia a leilão. Um longo murmúrio encheu a sala de magnatas da indústria da viagem especial, que salivavam para poder meter as manápulas em tamanho tesouro histórico. O leiloeiro iniciou a breve descrição do objeto:

– É com muito orgulho que a casa de leilões Orbital apresenta a última publicação de ficção, em língua portuguesa, impressa do planeta Terra. A quase lendária Vollüspa. A única sobrevivente do Grande Bombardeamento Europeu. Miraculosamente resgatada dos escombros da cidade de Lisboa por um grupo de exploradores, após o término da 3ª Guerra Mundial. O seu estado de conservação é excelente, muito em parte de ter sido conservada numa câmara homeostática, juntamente com o seu colecionador, antes de os projéteis terem destruído a cidade. São 15 contos no total, 128 páginas do último reduto criativo anterior à Grande Guerra. A base de licitação é quarenta mil milhões de créditos.

As ofertas de licitação explodiram de tal modo que a típica compostura e ritual de um leilão foi completamente atropelada. Em pouco tempo os valores astronómicos atingiram tal ponto que conjuntos de planetas extrassolares terraformados já eram trocados pela revista. Nenhum preço era alto de mais.

A um canto, Maximiliano IV, a quarta encarnação de Maximiliano, chorava no intervalo das suas gargalhadas azedas. Há muitos séculos, antes de transferir todo o seu conteúdo cerebral para um corpo biónico imortal, perdera a oportunidade de comprar a Vollüspa por 13€.

Fora o pior erro das suas quatro vidas.

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Informações sobre o autor:

Site:http://www.carlossilva.webs.com/apps/blog/

Obra:

O Fado da Júlia Florista – Revista-me

Natal© – Vollüspa

Quem semeia ventos colhe tempestades – Antologia de Literatura Fantástica (Edita-me)

Mini conto – Bang n.º12

Vollüspa – Os Feiticeiros Divertem-se

Vollüspa

Os feiticeiros divertem-se…

João Ventura

Sulimão o Cinzento bateu à porta da casa de Rolim o Azul e entrou sem esperar resposta, ainda a tempo de ver Rolim enfiar rapidamente o livro que lia na gaveta da velha mesa de trabalho.

Sulimão saudou o feiticeiro mais velho com o ritual apropriado. Pediu-lhe em seguida uma porção de dente de dragão moído e um saquinho de erva-de-luar. Quando Rolim se dirigiu ao compartimento vizinho para satisfazer o pedido, Sulimão abriu a gaveta, retirou o livro que fez desaparecer numa algibeira da túnica e fechou a gaveta sem ruído. Rolim voltou com os ingredientes e Sulimão agradeceu e retirou-se rapidamente.

Já fora de casa e depois de dobrada a primeira esquina, Sulimão retirou o livro da algibeira e olhou a capa. “Vollüspa”, leu em voz baixa, e pensou “que feitiços secretos estarão guardados nestas páginas?”

Abriu o livro com sofreguidão, ao acaso, e sofreu um choque: as páginas estavam em branco. Folheou com pânico crescente para a frente e para trás e rapidamente concluiu que todas as páginas estavam em branco!

Na residência donde acabava de sair, Rolim, observando a cena no seu espelho mágico, ria perdidamente, vendo o resultado do feitiço para fazer desaparecer todas as letras de um livro e imaginando a frustração de Sulimão. E já tinha uma ideia para melhorar o feitiço: quando o livro fosse folheado, não só exibiria as páginas em branco, como se ouviriam gargalhadas diabólicas, capazes de fazer gelar o sangue ao ladrão mais calejado.

E agora tinha de ir comprar outra Vollüspa, mas o que se tinha divertido com a partida que pregara a Sulimão compensava bem a despesa adicional.

Faça como Rolim o Azul e compre uma Vollüspa aqui! Prometemos que as páginas não estarão em branco;)

Informação sobre João Ventura:

Site:http://fromwords.blogspot.pt/

Obra: Vários contos espalhados por antologias e revistas, A Cinza do Tempo, incluíndo na antologia Contos Fantásticos (Fantasporto, 1982). Além disso, publicou no E-nigma, na Webfiction da Simetria, no fanzine brasileiro Somnium e, entre outras publicações, na Vollüspa.

One thought on “Vinhetas

  1. […] e o livro devia fazer parte das histórias. O resultado foi bastante positivo e pode-se consultar aqui. Eu também participei mas não fui publicado. Só resta então publicar aqui no meu […]

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